Devemos ensinar as crianças a bater de volta?

Recente o relato compartilhado por uma mãe de 4 crianças pequenas (3 meninos e uma menina) sobre a maneira como ela lida com seus filhos quando um bate no outro viralizou e acendeu a polêmica sobre como os pais e responsáveis pelas crianças devem agir nesse tipo de situação. Afinal, devemos ensinar as crianças a bater de volta quando apanham? Qual é o papel do adulto em situações desse tipo?

Sonia Brolio, psicóloga da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo explica que a agressividade é uma forma de expressão de desejos e sentimentos das crianças pequenas: “As brigas, muitas vezes com agressão física, são naturais entre irmãos e entre crianças em geral na primeira infância”.

Créditos: Shutterstock

 

A agressividade é uma forma de expressão de desejos e sentimentos das crianças pequenas

A especialista ainda acrescenta que os adultos, em geral, são colocados no “lugar de juízes, mediadores do conflito em questão” e que, na opinião dela, é importante que não haja por parte deles uma hipervalorização dessas situações. “As crianças devem ser incentivadas a dialogar  e descobrir que há melhores maneiras de expressar e resolver seus conflitos. Quanto mais puderem exercitar a autonomia nessas situações, mais terão condições de desenvolver recursos para enfrentar conflitos ao longo de seu desenvolvimento”.

Para Adriana Ramos, pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral da Unicamp, e coordenadora do curso de pós-graduação “A convivência ética na escola”, do Instituto vera Cruz,  “o problema não está em ter conflitos e, sim, em como as crianças resolvem”.

A especialista lista alguns princípios básicos para lidar com essas situações:

  • Não se combate um ato de agressão com outro ato de agressão, é importante que os adultos deixem claro que isso não é permitido, que respeito é um valor.
  • Os sentimentos das crianças devem ser reconhecidos e validados, eles podem sentir raiva, mas devem saber como demonstrar a raiva sem desrespeitar o outro. Sentimentos são aceitos e os atos devem ser contidos.
  • Não se deve tirar a criança do conflito e nem resolver por ela, os envolvidos precisam refletir sobre o que aconteceu. Portanto o papel do adulto é fazer boas perguntas e esperar o tempo de resposta das crianças, para refletirem sobre o que ocorreu.
  • Não se deve conversar com as crianças quando elas acabaram de brigar, pois não há disposição para a escuta neste momento, é importante que as crianças se acalmem antes, que se converse com cada um dos envolvidos de uma vez e depois em conjunto.

 

Na Escola Carlitos, em São Paulo, por exemplo, semanalmente professores e crianças (a partir de 5 anos) participam de encontros chamados de ‘Conselho de Cooperação’ nos quais discutem aspectos da vida na escola. “Tais reuniões ensinam os alunos a expressar seus sentimentos e insatisfações por meio da palavra, de forma respeitosa. Além disso, proporcionam a reflexão conjunta sobre as maneiras de se relacionar com o outro”, conta Laura Piteri, Diretora Pedagógica da escola.

Data: 28/04/2017

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